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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Só dois dedos de prosa


Daí começou a discussão sobre formação profissional e Mercado de Trabalho. Eu no meu canto. Teoria vai, teoria vem, alguém teve a triste ideia de perguntar o que eu pensava sobre o assunto:

- O Mercado de Trabalho te direciona para a escravidão. Eles te dizem: Seja um escravo e fique feliz por ter a oportunidade de ser explorado! Seja pró-ativo, seja otimista, seja participativo, use a técnica dos 5 "S", dos 4 "P", de tudo que é letra, seja esforçado, chegue cedo, saia tarde, mostre interesse, leve trabalho pra casa, não deixe de ir às festas babacas do seu chefe, tenha uma excelente aparência, seja cortês e educado sempre. Trabalhe muito e ganhe pouco. Abrace a sua escravidão! Aceite! Se você for for um bom escravo, quem sabe um dia você vira feitor (ou gerente, se preferir). Pouquíssimos se tornam Senhores de Engenho.

O que falta ao trabalhador brasileiro, é Dignidade!

E voltei a mergulhar no silêncio...
_____________________
Original: Guilherme Castelo


sábado, 2 de abril de 2011

Os deputados e seus assessores - opiniao - Estadao.com.br

Os deputados e seus assessores

02 de abril de 2011 | 0h 00

Celso Junior/AE - 16.02.2011

(Tiririca, aqui, apenas pra representar a palhaçada na política brasileira)

A pressa, a discrição e a perfeita harmonia com que a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de São Paulo e 92 dos 94 deputados estaduais atuaram para a aprovação, quase em surdina e em tempo recorde, do projeto de lei que dobra o número de assessores que cada parlamentar pode contratar para trabalhar em seu gabinete não deixam dúvidas de que os integrantes do Legislativo não queriam expor o tema a amplo debate público. O número de assessores que um deputado pode contratar à custa do erário passa de 16 para 32.

Os deputados passaram por cima de uma questão ética. Trata-se do uso de dinheiro público para custear uma atividade privada, que é a estrutura montada pelo deputado para conquistar votos. Na prática, esses assessores não passam de cabos eleitorais, cuja remuneração deve ser paga por quem os contrata, não pelo contribuinte. Além disso, aprovado o aumento do número de assessores, o próximo passo será o aumento de sua remuneração.

Iniciativa da Mesa da Assembleia, o projeto foi publicado no dia 24 de março e quatro dias úteis depois estava aprovado. Causa estranheza o fato de a decisão ter sido tomada no dia em que a sessão ordinária da Casa havia sido suspensa em razão do falecimento do ex-vice-presidente da República José Alencar. Mas o interesse dos parlamentares no assunto mostrou ser muito mais forte do que seu desejo de render homenagens ao ex-presidente e, assim, eles convocaram, sem alarde, uma sessão extraordinária para aquela mesma noite, sendo o principal item da pauta o famigerado projeto.

Apoiado por todas as lideranças partidárias, exceto a do PSOL, o projeto foi aprovado por votação simbólica. Dos 94 deputados, apenas 2 - Carlos Giannazi (PSOL) e Olímpio Gomes (PDT) - se manifestaram contra ele.

O texto agora segue para a sanção ou o veto do governador Geraldo Alckmin, que disporá de 15 dias para decidir sobre o assunto. Se o governador nada fizer nesse prazo, o projeto será sancionado pelo presidente da Assembleia, deputado Barros Munhoz (PSDB). A expectativa dos deputados é de que o governador ignore o assunto e não se manifeste no prazo de que dispõe. Para isso, poderia até justificar-se politicamente, alegando que se trata de assunto interno da Assembleia. Assim, evitaria problemas com os deputados.

A medida tem, no entanto, um impacto sobre as finanças públicas que, ao lado das razões éticas, justificaria o veto do governador, que, entre outros compromissos, assumiu o de reduzir o custeio da máquina pública.

Os deputados alegam que, como não haverá aumento da verba de gabinete para o pagamento de mais assessores, a medida não terá impacto financeiro. Se um deputado contratar mais pessoas, terá de reduzir os salários dos que já trabalham para ele. Se tiver um assessor que ganha R$ 5 mil e contratar mais um, cada um dos assessores ganhará metade desse valor, exemplificam os deputados, para garantir que a medida não criará gastos.

Assim, estaria havendo apenas um "redimensionamento dos gabinetes, de acordo com as necessidades do mandato", ou uma "melhora da estrutura dos gabinetes", sem aumento de gastos com pessoal, como disseram alguns deputados.

Aumento de gastos haverá, sim, se aumentar o número de assessores pessoais dos deputados, como é previsível que ocorra. Cada assessor, além dos vencimentos normais - que, com o projeto, podem variar de R$ 1.828 a R$ 8.918, dependendo do número de assessores do deputado -, terá direito a auxílio-refeição, entre outros benefícios trabalhistas adicionais. Atualmente, o total de assessores não pode passar de 1.504; com a mudança, o número pode chegar a 3.008. Se todos os deputados contratarem o número máximo de assessores, os gastos da Assembleia com benefícios trabalhistas podem aumentar até R$ 11,2 milhões por ano. É esse o dinheiro adicional que o Legislativo consumirá para assegurar que, à custa do contribuinte, cada deputado possa contratar o dobro de cabos eleitorais.



terça-feira, 29 de março de 2011

Adeus, José... Obrigado por tudo.

O médico Raul Cutait afirmou, na tarde desta terça-feira, que o ex-vice presidente José Alencar, de 79 anos, "está se preparando para descansar". A declaração foi dada na porta do Hospital Sírio-Libanês, onde Alencar está internado na na unidade de terapia intensiva (UTI) desde segunda-feira.

- Como vocês viram no boletim, o vice-presidente está na fase... se preparando para descansar - disse Cutait.

(Fragmento retirado do site do Extra: http://extra.globo.com/noticias/brasil/medico-diz-que-jose-alencar-esta-se-preparando-para-descansar-1437553.html)


A notícia que segue, é a mais triste de todas, mas inevitável, infelizmente, para todos nós:

Morreu nesta terça-feira (29), aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República, José Alencar, que lutava contra um câncer desde 1997.

(http://noticias.r7.com/brasil/noticias/morre-aos-79-anos-jose-alencar-ex-vice-presidente-da-republica-20110329.html)


Sentimos essa perda, todos nós, brasileiros, que acompanhamos sua luta. Não foi uma luta contra a morte, mas uma luta pela vida. Ele, mais que todos, representou o espírito do brasileiro, que não desiste nunca. Foram 13 anos de uma batalha injusta e inglória, contra um câncer, que já em metástase, vivia migrando por seu corpo.

Nos acostumamos, nos últimos meses, a vê-lo, sair de hospitais, sempre sorrindo, sempre apregoando esperanças. Claro que não era perfeito. Claro que alguém encontrará defeitos e tentará manchar sua imagem. Não importa. O que fica para nós, é o seu exemplo. Como empresários, como vice-presidente e como ser humano.

Hoje, todos choramos sua morte, como filhos que perdem seu maior exemplo. Políticas e polêmicas à parte, sentiremos falta do bom-humor, do carisma e da força desse grande brasileiro, que como Alexandre, o Grande, "saiu da vida, deixando para trás a glória eterna".

"Não tenho medo da morte, tenho medo da desonra. Se o sujeito é um político honrado, ele não morre nunca. mas se ele não tem honra, ele morre em vida." José Alencar.

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Pois você já pode descansar, velho amigo. Descansar, apenas, porque para nós, você nunca morrerá.

Obrigado, José, por tudo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Apenas para não ficar sem final

 Eu disse que estava esperando definição...
Não me alongarei muito pq não será necessário...
Apenas resumo, portanto:
Duciomar foi cassado sem firmeza,
Priante foi impossado sem diploma e sem direitos, portanto.
Duciomar foi reconduzido à Prefeitura.
Tudo voltou a ser como antes....
E pra variar, o povo já esqueceu....
Como diria o Mosaico de Ravena:
"Isso é Belém, isso é Pará, isso é Brasil!!!"

Apenas um anexo: 
Esse ano é ano de eleição...
Será que nós não podemos MESMO fazer nada a respeito???
Fica a pergunta: responda você se for capaz!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Em compasso de espera...

Ainda aguardando definição...
Fim de semana de interludio...
Na segunda-feira deve sair a publicação no Diário Oficial...
Concomitantemente com a apelação do Dudu...

E nós... esperamos...

Certeza apenas que vai dar o maior rebú!

A dúvida: a alternativa é melhor?

Mas a cena que eu queria mesmo ver nos jornais um dia era essa:
Foto (infelizmente) meramente ilustrativa!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

E Agora José?



Paulo Diniz
Composição: Carlos Drummond de Andrade

E agora, josé?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, josé?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora, josé?
Está sem mulher,
Está sem carinho,
Está sem discurso,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, josé?
Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,
Seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer morrer no mar,
Mas o mar secou;
Quer ir para minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro, josé!
Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, josé!
José, para onde?
Você marcha José, José para onde?
Marcha José, José para onde?
José para onde?
Para onde?
E agora José?
José para onde?
E agora José?
Para onde?
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Plantão
Justiça cassa mandato de Duciomar Costa
04/12/2009 - 14h0m
Atualizada às 14h29

O juiz eleitoral Sérgio Andrade de Lima, da 98ª Zona Eleitoral, determinou a cassação do mandato do Prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB). A decisão foi expedida no final da manhã desta sexta-feira (4) e ainda cabe recurso.

O motivo da cassação foi abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral para a reeleição em 2008. Entre as acusações está a de compra de votos.

O Ministério Público do Estado já havia emitido parecer favorável à cassação, em junho deste ano. O parecer da promotora Leane Barros Fiúza de Melo opina também que sejam julgadas procedentes as sanções contra o vice-prefeito Anivaldo Vale, com a perda do mandato e multa, e contra a coligação 'União por Belém', com aplicação de multa.

Clique aqui e leia a íntegra do parecer do Ministério Público

De acordo com a assessoria de imprensa do TRE-PA, por decisão do desembargador presidente do tribunal, João José da Silva Maroja, o conteúdo da decisão só será divulgado na segunda-feira (7), quando a sentença será publicada no Diário Oficial de Justiça.

Outro lado - A Prefeitura de Belém informou que o prefeito Duciomar Costa vai prestar esclarescimentos durante uma coletiva de imprensa, às 16h, no Palácio Antônio Lemos.


Redação Portal ORM

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Estamos aguardando o desfecho...
Opinaremos oportunamente.
(Mas já gostamos!!!)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Catch a Fire!!

Daí lendo as notícias de hoje, me deparei com essa do Diário On-line:
FOTO: Wildes Lima

Trabalhadores do transporte alternativo da Região Metropoliana de Belém, revoltados com a quebra do acordo firmado entre a categoria, vereadores e CTBel voltaram a protestar.

Perueiros causaram transtornos hoje, pela manhã (foto: Wildes Lima)

Eles fecharam a avenida Padre Champagnat esquina com avenida Portugal, no Centro Comercial de Belém, e atearam fogo em pneus para bloquear o trânsito próximo ao palácio Antônio Lemos, sede da Prefeitura de Belém.

Durante a manifestação, perueiros jogaram bombas dentro da fogueira e causaram pânico nas pessoas que passavam. Em virtude da fumaça, alguns logistas da área tiveram que fechar seus estabelecimentos. Diário Online)

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Outra vez me deparo com notícias de protestos, feitos à base de fogo e fumaça. Tá virando moda, já há algum tempo, aliás. Contudo, não consigo me "acostumar" com essa idéia. Eu mesmo, na condição de "protestador" habitual de quase tudo, não consigo entender completamente a "lógica" por trás desse tipo de ação. Entendo a posição dos perueiros, veja bem, acredito que há MESMO necessidade de uma política pública que os leve a sério, uma vez que o governo não consegue resolver a questão do abastecimento de transporte coletivo (junto às empresas), e os perueiros, por outro lado, ajudam EFETIVAMENTE, na fluência do tráfego de Belém. Quase todos nós, usuários de ônibus, já tomamos uma van, em algum momento. E na maioria das vezes, é justamente porque NÃO TINHA UM ÔNIBUS QUE NOS LEVASSE. Quer dizer, isso é uma questão muito mais social que política. E econônica também, é claro. Afinal, SOMOS NÓS quem pagamos, tanto a passagem do ônibus, quanto do perueiro (que geralmente é ligeiramente mais cara). Pagamos até O SALÁRIO DOS POLÍTICOS QUE NADA FAZEM PARA RESOLVER A QUESTÃO!

Aí eles se reunem na câmara, fazem uma balbúrdia, promovem um quebra-quebra generalizado, e não importa quanto espetáculo deem, NADA SE RESOLVE.

Saem todos os "interessados" mais perdidos do que antes. O prefeito desapareçe nessas horas. E no dia seguinte, a fila no meu ponto de ônibus tá igualzinha. Ou pior.

É por isso que, cansados de tentar acordo enquanto são marginalizados, os perueiros resolvem se unir, para protestar, para reinvindicar seus direitos como cidadãos, e contribuintes, e no auge dessa idéia justa, eles resolvem... Queimar pneus? Fala sério pessoal, vocês podem fazer melhor. Não percebem que agindo assim só prejudicam à NÓS, os passageiros, seus clientes, QUE NÃO TEMOS CULPA NENHUMA? Não veem que assim você nos paralisam, o que inviabiliza uma série enorme de atividades ao redor da cidade, atividades como: as frutas e verduras que vocês querem comer, vindas da Ceasa, a cervejinha que bebem, que fica paralizada no trânsito e não pode ir pro freezer, além de questões mais sérias como o acesso que fica inutilizado para ambulâncias, grupamentos dos bombeiros, e todo o tipo de ajuda que outras pessoas possam estar necessitando naquele momento.

Quer outra? Vocês mesmos, que são trabalhadores, pessoas das quais outras pessoas dependem, expõe-se a riscos desnecessários, manipulando fogo e gasolina (enquanto deveriam estar trabalhando para levar o leite do Joãozinho, pra casa à noite), expondo-se às represálias da polícia, enfim... Mas uma das questões que julgo mais importantes (em função de seu potencial danoso), é a fumaça. Quantos quilos de fumaça negra, puro derivado de petróleo, carbono puro, são despejado na atmosfera à cada "protesto" desses? Todo mundo tá queimando pneus! Se pensarmos bem, será que os motoristas em geral já não poluem DEMAIS a atmosfera só com seus escapamentos? Ainda precisa de mais?

Imagino que se algum deles lesse isso diria: "então tá, sabidão, e qual é a solução?". Socraticamente, digo-lhes que não sei. Seria esperar demais de uma pessoa apenas, uma vez que vocês todos já estão há um tempão nisso e não resolvem. Posso apenas, opinar:

--> Reunam-se como um grupo coeso. Acertem suas diferenças internas antes de sair protestando. Nem vocês sabem ao certo o que querem. Já ouvi todo o tipo de "eu quero é", de vários perueiros.

--> Tentem utilizar os trâmites. Sim, como entidade (realmente) organizada, tentem buscar JURIDICAMENTE, apoio aos seus interesses.

--> Vão a todos os meios de comunicação falar, repercutir, insistir, denunciar, enfim, fazer todo o barulho possível

--> E finalmente, se nada disso resolver, façam o piquete. Mas o façam no lugar certo!! Façam na frente da casa do prefeito, do secretário de transportes, enfim, de quem tem OBRIGAÇÃO de lhes ouvir e resolver o problemas. Mas SEM FOGUEIRAS! Notem que quando vocês fecham avenidas e ruas, não é a ELES que vocês prejudicam. Eles podem sair tranquilamente de suas casas, e circular por onde quiserem com seus carros blindados. Somos nós que ficamos fritando no engarrafamento. Pergunto: É justo?

Então é isso gente. Meu protesto sobre o protesto. E dou só mais um último parecer: Se tudo o mais falhar, crie um blog, siga protestando e denuncie todo mundo!!!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ascensão e Queda dos Piqueteiros Virtuais

Tarde da noite, ainda nem madrugada, ele murmurava para as estrelas. Numa rua escura por onde ninguém passava, entre o muro alto e o rio, ele declamava para os cagalhões descendo pela corrente fraca e para sacos de lixo que flutuavam pelas calçadas.

O outro surgiu sem ser percebido na rua escura. Vinha manso, mas poderia ter se aproximado a bordo de um tanque e também não seria notado, pois era grande a distração dele.

Repetiu em voz alta as palavras que ele havia murmurado, ou também estava falando sozinho pela noite adentro? Por certo falavam parecido. Ele perguntou seu nome e o outro disse. Muitas outras frases e pensamentos foram trocadas. Dentre elas, algumas definitivamente irrelevantes para qualquer outra pessoa que não estivesse naquela sintonia especial.

A noite se desenrolava e as idéias também, quando concluíram que poderiam muito bem seguir juntos, falando sozinhos pela escuridão. Mas concederam também que não era de suas naturezas concordar com alguém, muito menos pensar com a cabeça de quem quer que seja, muito menos o Papa. De novo imaginaram que deveriam ter um... Objetivo! que os congregasse numa missão importante.

"Morte certa? Nenhuma possibilidade de sucesso? O que estamos esperando?" (Gimli, em Senhor dos Anéis)

Ele jogou uma idéia antiga, de fazer um dicionário de palavras corrompidas, revelando o sentido ideológico de expressões utilizadas pela retórica atual em todas as atividades modernas, algo assim. Ambos julgaram tarefa estafante. Um e outro sugeriu seguir assim, só falando sozinhos. Logo adiante, o outro disse que se estavam reunidos na rua, deviam combinar pelo menos ir beber uns gorós ou mesmo um café.

Insustentáveis, concluíram de novo que deviam fazer alguma coisa, além de falar sozinhos. Afinal, eram dois caras que se achavam diferentes e meio loucos, que diziam coisas que as outras pessoas poderiam gostar e isso de falar sozinhos pela noite era uma coisa esquisita, mesmo para os seus padrões distorcidos.

"Quem investe contra moinhos de vento, na cabeça os tem." (Sancho Pança, em Dom Quixote)

Aí tiveram a idéia do que fazer. De primeiro veio o título: Piquete Virtual.

Era assim: usariam suas vozes na noite para mandar mensagens a todos esses sujeitos que só fazem cagada em seus postos de poder. Mandariam e.mails aos políticos, deixariam Comentários nos sites e blogs de todos os formadores de opinião, jornalistas, corporações, juízes e delegados. Fariam isso aos milhões, agregando as pessoas dos blogs, do orkut, do twitter e do diabo a quatro. E cada mensagem começaria assim: Esta é Uma Ação de Piquete Virtual, Nossa ação pretende (descrever o motivo do protesto).

Encheríamos caixas de mensagens e Comentários com mensagens, num verdadeiro Piquete Virtual, fazendo o alvo tomar juízo, desistir de levar a propina, impedir a Lei absurda, prover de saneamento básico e tudo mais. Cara, podíamos mudar o mundo confortavelmente de dentro de nossas casas, sem levar bordoada de PM, sem engasgar com gás lacrimogênio e sem ficar rouco de gritar. É só mobilizar a moçada! Seríamos seguidos como salvadores, nossos blogs iam bombar!

A idéia percorreu os dois como uma descarga elétrica. Sentiam como se seus planos já pudessem ser ouvidos, como se fossem portadores de uma praga do bem que se alastraria pelo universo, dando finalmente um objetivo a todos esses blogueiros que vicejam silenciosos e que só esperam um líder para seguir até os confins do inferno.

Assim, separaram-se na noite cuja quietude era uma ofensa à retumbância de seus pensamentos.

Afinal, quem tinha tanto tempo para tudo isso? Usar aquele sistema de mandar um monte de e.mail para um monte de gente, era um mistério. Convencer tuiteiros a fazer alguma coisa séria é tarefa impensável. Aquele povo todo do orkut só pensa em mandar abobrinhas e budipokes uns para os outros. E da onde entra a grana? Tinham que seguir zumbizando no trabalho para entrar algum, sempre da mão prá boca sem sobrar nenhum.

Que se futriquem os políticos e todo o resto, pois o mundo segue inexorável para o abismo e não vou ser eu quem vai se meter na frente e ser atropelado.


É triste concordar, amigo...


Lendo o post do meu amigo Malanski, começei a divagar, imaginado as cenas que ele tão habilmente descrevia, e de imagem em imagem, vi centenas, milhares de slides, de outra tantas situações como aquelas, que tenho assistido nos jornais, no decorrer dos meus dias. Vi também imagens de outros tipos de crimes, cometidos pelos mesmos personagens (ou um parente qualquer), e de "formação de quadrilha" a "quebra do decoro parlamentar", não consigo ver diferença alguma.

Afinal, pra que serve o CONSELHO DE ÉTICA? Será que ELES SABEM O QUE É ÉTICA?

Um promotor matou um rapaz, na saida de uma boate, há pouco tempo, porque o outro havia xavecado a sua namorada. Uma juíza foi pega num grampo telefônico, negociando com um assassino de aluguel, a morte de um desafeto. E o que dizer de todos esses maníacos miseráveis, que se utilizam do poder pra abusar de crianças, DE TODAS AS FORMAS? Podíamos perguntar pro deputado Seffer, afinal, disso ele entende!

Se isso não fosse o bastante, temos TODOS OS VELHOS PROBLEMAS CLÁSSICOS DO BRASIL, que como sabemos, na sua maioria, tem origem em alguma esfera política.

Sufoquei de raiva. Respirei fundo pra clarear as idéias.

Nesse ponto parei, acendi um cigarro, e resovi passar a bola adiante...

Afinal, o que mais podemos fazer?

Seja um de nossos autores!

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