quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Grande Edgar

Luís Fernando Veríssimo

Já deve ter acontecido com você.

- Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando a sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir. Um, o curto, grosso e sincero.

- Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos não entre pessoas educadas. Você devia ter vergonha. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.

Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.

- Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com a sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

- Desculpe deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa "Não torture um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!" É uma maneira simpática de dizer que você não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve à insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há o terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

- Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso. Há provas estatísticas que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

- Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

- Então me diga quem eu sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

- Pois é.
Ou:
- Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem é esse cara, meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas do meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como "jabs" verbais.

- Como cê tem passado?
- Bem, bem.
- Parece mentira.
- Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele está falando:

- Pensei que você não fosse me reconhecer...
- O que é isso?!
- Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.
- E eu ia esquecer você? Logo você?
- As pessoas mudam. Sei lá.
- Que idéia!

(É o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo, amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

- É incrível como a gente perde contato.
- É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

- Cê tem visto alguém da velha turma?
- Só o Pontes.
- Velho Pontes!

(Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

- Lembra do Croarê?
- Claro!
- Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.
- Velho Croarê!

(Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda a cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

- Rezende...
- Quem?

Não é ele. Pelo menos isso está esclarecido.

- Não tinha um Rezende na turma?
- Não me lembro.
- Devo estar confundindo.

Silêncio. Você sente que está prestes a ser desmascarado.

- Sabe que a Ritinha casou?
- Não!
- Casou.
- Com quem?
- Acho que você não conheceu. O Bituca.

Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador. Você está tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?

- Claro que conheci! Velho Bituca...
- Pois casaram...

É a sua chance. É a saída. Você passa ao ataque.

- E não me avisaram nada?!
- Bem...
- Não. Espera um pouquinho. Todas essas coisas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, o Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?!
- É que a gente perdeu contato e...
- Mas o meu nome está na lista, meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.
- É...
- E você ainda achava que eu não ia reconhecer você. Vocês é que esqueceram de mim!
- Desculpe, Edgar. É que...
- Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam...

(Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele está na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!")

- Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?
- Certo, Edgar. E desculpe, hein?
- O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.
- Isso.
- Reunir a velha turma.
- Certo.
- E olha, quando falar com a Ritinha e o Mutuca...
- Bituca.
- E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?
- Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Grande Egar. In:__ As mentiras que os homens contam. São Paulo: Objetiva, 2000.

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Já perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu comigo! E vc, já passou por um aperto desses?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Um novo dia que nasce...


Parabéns à todas as mulheres do meu país! 

Isso sim, foi uma vitória da democracia... 
Não há como saber como será o seu mandato, com certeza ela enfrentará problemas enormes e barreiras, 
como não poderia deixar de ser, mas o simples fato de nós, uma 
democracia tão jovem, termos eleito uma mulher como principal comandante do nosso país, é uma vitória histórica...
Viva a democracia, viva o Brasil!!

terça-feira, 19 de outubro de 2010


Andrezinho está dentro do carro do seu pai quando avista duas prostitutas na calçada...

- Pai, quem são aquelas senhoras?
 
O pai meio embaraçado responde:

- Não interessa filho... Olhe antes para esta loja... Já viu os lindos brinquedos que tem?
 
- Sim, sim, já vi. Mas... quem são as senhoras e o que é que estão fazendo ali paradas?
 
- São... são. São senhoras que vendem na rua.
 
- Ah sim?! Mas vendem o quê??  - Pergunta admirado o garoto.
 
- Vendem... vendem... Sei lá... vendem um pouco de prazer.
 
O garoto começa a refletir sobre o que o pai lhe disse, e quando chega em casa, abre a sua carteira com a intenção de ir comprar um pouco de prazer.  Estava com sorte! Podia comprar 50 reais de prazer!,No dia seguinte, vai ver uma prostituta e pergunta-lhe:
 
- Desculpa minha senhora, mas pode me vender 50 reais de prazer, por favor?
 
A mulher fica admirada e, por momentos, não sabe o que dizer, mas como a vida está difícil, ela aceita.  Porém, como não poderia agir de forma 'normal' com o garotinho, leva-o para casa dela e prepara-lhe seis pequenas tortas de morango. 
 
Já era tarde quando o garoto chega em casa. O seu pai preocupado pela demora do filho, pergunta-lhe onde ele tinha estado. O garoto olha para o pai e diz: 
 
- Fui ver uma das senhoras que nós vimos ontem para lhe comprar um pouco de prazer!
 
O pai fica amarelo:
 
- E... e então... como é que se passou?
 
- Bom as quatro primeiras não tive dificuldade em comer, a quinta levei quase uma hora, e a sexta foi com muito sacrifício. Tive quase que empurrar para dentro com o dedo, mas comi mesmo assim. Ao final estava todo lambuzado, melequei todo o chão e a senhora me convidou para voltar amanhã, posso ir?  
 
O pai desmaiou.

sábado, 16 de outubro de 2010



Veja esta, então:
Um chinês entra num bar da moda em New York, quando vê o Steven Spielberg e pensa:
_ Gostaria de conhecê-lo.
Spielberg ao passar por ele, dá-lhe uma porrada daquelas na cara, que faz
melecar o nariz.
- Hei... Por que você fez isso? - pergunta o chinês.
- Vocês, japoneses, mataram o meu avô quando bombardearam Pearl Harbor!!!
- Mas eu não sou japonês!!! Sou chinês!!!
- Chineses, tailandeses, japoneses ... Para mim é tudo a mesma merda!!!
Spielberg vai se sentar, quando o chinês chega por trás dele e enfia-lhe um
tapaço na orelha, daquelas de fazer o cara ficar tonto na cadeira...
- Então? Para que isso, seu filha da puta? - pergunta Spielberg.
- Imbecil, idiota! Minha avó estava no Titanic seu filha da puta!!!
- Mas não fui eu que afundei a merda do Titanic
porra! Foi um iceberg!!!
- Iceberg, Gutenberg, Spielberg... Pra mim é tudo a mesma merda!!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Apenas para descontrair um pouco...

Já que não podemos mudar a política educacional do país imediatamente, podemos ao menos rir um pouco de seus sub-produtos!

Diretamente das respostas de provas do Ensino Médio:
PÉROLAS!!!!


(Algumas eu já havia lido, mas adoro mesmo assim...)

'O sero mano tem uma missão...'
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)


'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas. .'
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)


'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)


'A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'
(E além de tudo, viajam pra caramba, hein?)


Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.'
(Faz sentido)


'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes'
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)


'É um problema de muita gravidez.'
(Com certeza...se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)


'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'
(Sem comentário)


'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia'
(Que pena. Também as girafas e elefantes sumiram de lá)


'A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando'
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)


'O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos.'
(Não conte comigo)



'Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil'
(Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras)


.... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas. '
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)


'Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.'
(Que coisa, não??..... Haja pára-raio!)


'Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.'
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple? IBM?)


'Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira..'
(Caraca! Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito 'Ordem e Progresso'..)


'.... são formados pelas bacias esferográficas. '
(Imaginem as bacias da BIC.)


'Eu concordo em gênero e número igual.'
(Eu discordo!)


'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio...'
(Putz, que droga é essa?)


'O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.
(Esse deve ter tomado uma na veia)


'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'
(Que maravilha!)


'As chuvas foram fortes, mas não tivemos danos morais'
(Palavra de algum vereador de astorga (quem seria processado? São Pedro?)


Ai, ai....

segunda-feira, 1 de março de 2010

Apenas para não ficar sem final

 Eu disse que estava esperando definição...
Não me alongarei muito pq não será necessário...
Apenas resumo, portanto:
Duciomar foi cassado sem firmeza,
Priante foi impossado sem diploma e sem direitos, portanto.
Duciomar foi reconduzido à Prefeitura.
Tudo voltou a ser como antes....
E pra variar, o povo já esqueceu....
Como diria o Mosaico de Ravena:
"Isso é Belém, isso é Pará, isso é Brasil!!!"

Apenas um anexo: 
Esse ano é ano de eleição...
Será que nós não podemos MESMO fazer nada a respeito???
Fica a pergunta: responda você se for capaz!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Em compasso de espera...

Ainda aguardando definição...
Fim de semana de interludio...
Na segunda-feira deve sair a publicação no Diário Oficial...
Concomitantemente com a apelação do Dudu...

E nós... esperamos...

Certeza apenas que vai dar o maior rebú!

A dúvida: a alternativa é melhor?

Mas a cena que eu queria mesmo ver nos jornais um dia era essa:
Foto (infelizmente) meramente ilustrativa!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

E Agora José?



Paulo Diniz
Composição: Carlos Drummond de Andrade

E agora, josé?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, josé?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora, josé?
Está sem mulher,
Está sem carinho,
Está sem discurso,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, josé?
Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,
Seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer morrer no mar,
Mas o mar secou;
Quer ir para minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro, josé!
Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, josé!
José, para onde?
Você marcha José, José para onde?
Marcha José, José para onde?
José para onde?
Para onde?
E agora José?
José para onde?
E agora José?
Para onde?
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Plantão
Justiça cassa mandato de Duciomar Costa
04/12/2009 - 14h0m
Atualizada às 14h29

O juiz eleitoral Sérgio Andrade de Lima, da 98ª Zona Eleitoral, determinou a cassação do mandato do Prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB). A decisão foi expedida no final da manhã desta sexta-feira (4) e ainda cabe recurso.

O motivo da cassação foi abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral para a reeleição em 2008. Entre as acusações está a de compra de votos.

O Ministério Público do Estado já havia emitido parecer favorável à cassação, em junho deste ano. O parecer da promotora Leane Barros Fiúza de Melo opina também que sejam julgadas procedentes as sanções contra o vice-prefeito Anivaldo Vale, com a perda do mandato e multa, e contra a coligação 'União por Belém', com aplicação de multa.

Clique aqui e leia a íntegra do parecer do Ministério Público

De acordo com a assessoria de imprensa do TRE-PA, por decisão do desembargador presidente do tribunal, João José da Silva Maroja, o conteúdo da decisão só será divulgado na segunda-feira (7), quando a sentença será publicada no Diário Oficial de Justiça.

Outro lado - A Prefeitura de Belém informou que o prefeito Duciomar Costa vai prestar esclarescimentos durante uma coletiva de imprensa, às 16h, no Palácio Antônio Lemos.


Redação Portal ORM

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Estamos aguardando o desfecho...
Opinaremos oportunamente.
(Mas já gostamos!!!)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Samanta









Samanta, minha filha, olha a hora!


Não se preocupe mamãe...


Hoje não é sua prova de biologia? 


É  sim mamãe... Mas estudei a semana inteira...


Eu não vi você estudando aqui!


É que eu estudei com um colega meu lá  na escola mesmo.


E você tem certeza que já sabe tudo? Olha...Você é esquecida!


Ainda não mamãe... Mas um outro colega meu filma as aulas... E depois a gente  relembra junto...
Agora tenho que ir mamãe...


Estuda!!!!


Tá! Relaxa...
 

Essa minha filha... Tomara que ela tire uma nota boa!

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Eu não sei bem o porquê dessa moda nova: transar na escola (e filmar isto).
Não apenas na escola Ulysses Guimarães em  Belém, mas em outras escolas do Brasil  também estão na "onda".
Antes a notícia era " garota menor é estupra na escola"... Agora é " Aluna de 13 anos pediu pra fazer sexo oral no banheiro da escola"!
Só faltava essa!!!!


Sem vergonha... Sem nada...Sem respeito também pela ESCOLA, pelo ENSINO e pelos PAIS.
E acima de tudo: SEM RESPEITO COM O PRÓPRIO CORPO.


Então é esta a visão que os alunos possuem da moral, do corpo, da Escola?
Será isto então???
Será que eles acham que uma imitação de filme pornô é uma prática construtiva?
Será que eles acham que essa "merda" irá valer para seus futuros relacionamentos?
Então é isso?
Será que os pais e a Escola estão sujeitos a esperar violência e agora pornografia de adolescentes que se apresentam a eles como "bons" ou "não tão ruins".
Eu não procuro culpado ou vítima.
Sei que é preocupante saber que na mente de tal adolescentes ( não apenas  paraenses),
passa somente um filme:
Eu quero, vou fazer o que quero, mesmo que você nao saiba, e o resto não é nada.




segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Strike!! E o prêmio: Liberdade!


Foto meramente ilustrativa. Isso foi um acidente ocorrido no México. Não consegui encontrar ainda fotos do Acidente aqui em Belém. Tão logo as consiga, trocarei aqui.

Diretamente do eBand:

Da Redação

cidades@eband.com.br

Operários que trabalhavam em uma obra foram atropelados por um carro desgovernado dirigido por uma motorista bêbado na manhã deste sábado, em Belém (PA).

De acordo com testemunhas, o veículo seguia em alta velocidade e na contramão. Depois do acidente, os ocupantes do carro tentaram fugir, mas foram contidos pelos trabalhadores.

A polícia foi chamada e, na confusão, um operário teria sido baleado. Os feridos foram levados para o hospital, mas ainda não há informação sobre o estado de saúde deles.

O motorista foi preso.

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E foi tudo o que encontrei na internet sobre o assunto. Nos jornais impressos também não se disse muito. Só o Fala Brasil, da Record, disse o nome e mostrou a cara do motorista. Por quê? me pergunto...

Os fatos divulgados pelo jornal: O motorista Pablo Bezerra Souza Martins, havia passado no vestibular e vinha bêbado, dirigindo em alta velocidade, em plena via pública urbana, também chadada de RUA. Bom, Consta que os 11 trabalhadores haviam saído da obra em que trabalham, como ajudantes e pedreiros. Iam tomar o ônibus para suas casas após um extenuante dia de TRABALHO. Você já "bateu um traço de massa", alguma vez na vida? tem idéia como é dura a vida na construção civíl? Trabalha-se como Hércules e a diária é insuficiente. Se pessoas com talentos na área da construção (e não é todo mundo que tem mesmo!) aceitam viver por tão pouco é porque precisam certo? Daí podemos deduzir a existência de uma família talvez, de dívidas, enfim, e suas necessidades pessoais. Do outro lado, temos um jovem, provavelmente da classe média, "filhinho de papai", marombado, bêbado, inconsequente, que após ser aprovado (sabe lá como!) em uma universidade, resolve comemorar enchendo a cara. Até aí tudo bem (mais ou menos, né?), mas então ele resolve dirigir. Nesse momento, bêbado ou não, ele está assumindo a responsabilidade pelos atos que decorrerem daí. Ao sair feito louco pelas ruas, ele sabe que pode acertar alguém. E quando isso fatalmente acontece, ELE TEM QUE SER RESPONSABILIZADO POR SEUS ATOS E ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS. Isso sim, seria o certo em um sistema jurídico ideal.

Contudo, o que vimos foi um absurdo. Após o CRIME, o safado tentou fugir, mas foi interceptado pela população. E tomou um bom cacete! Tá bom que não devemos "multiplicar a violência" e "tomar a justiça nas mãos", mas... não posso recriminar o povo. Vc pode? Se estivesse lá, o que faria?

Eis que surge a polícia. E na ânsia de "proteger a vítima" do espancamento, disparou tiros de borracha, gás, sei lá, e o saldo: mais um operário ferido, dessa vez, baleado. Fiquei confuso... quem são as vítimas afinal?

Agora o mais chocante: Levado à delegacia, o motorista ao ser entrevistado sobre o acidente e suas consequências ainda respondeu:

"-Eu tô preocupado é com o carro, que é da família, eu tô preocupado é com isso..."Após pagar fiança, foi liberado.

Pergunta: E a Lei Seca? Não dava cadeia? Ou é só para pobre? Ou tem que estar na rua e ser pego pelo bafômetro? Alguém aí sabe o que é homicídio culposo? Ninguém morreu ainda (que eu saiba), mas poderia, ou não? Estão espalhados pelos hospitais e PSM's de Belém, o que como sabemos, é a pior notícia de todas! E o bacanão deve estar... fazendo um churraso comemorativo, quem sabe?

Minha indignação atingiu limites inimagináveis! Não continuarei esse texto, pq minhas próximas palavras teriam que ser censuradas. Não posso transmitir pelos dedos o que sinto. Precisaria gritar. E muito. Me permitirei apenas uma:

PLAYBOYZINHO FILHO DA PUTA!!!

Perdão aos mais sensíveis...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Catch a Fire!!

Daí lendo as notícias de hoje, me deparei com essa do Diário On-line:
FOTO: Wildes Lima

Trabalhadores do transporte alternativo da Região Metropoliana de Belém, revoltados com a quebra do acordo firmado entre a categoria, vereadores e CTBel voltaram a protestar.

Perueiros causaram transtornos hoje, pela manhã (foto: Wildes Lima)

Eles fecharam a avenida Padre Champagnat esquina com avenida Portugal, no Centro Comercial de Belém, e atearam fogo em pneus para bloquear o trânsito próximo ao palácio Antônio Lemos, sede da Prefeitura de Belém.

Durante a manifestação, perueiros jogaram bombas dentro da fogueira e causaram pânico nas pessoas que passavam. Em virtude da fumaça, alguns logistas da área tiveram que fechar seus estabelecimentos. Diário Online)

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Outra vez me deparo com notícias de protestos, feitos à base de fogo e fumaça. Tá virando moda, já há algum tempo, aliás. Contudo, não consigo me "acostumar" com essa idéia. Eu mesmo, na condição de "protestador" habitual de quase tudo, não consigo entender completamente a "lógica" por trás desse tipo de ação. Entendo a posição dos perueiros, veja bem, acredito que há MESMO necessidade de uma política pública que os leve a sério, uma vez que o governo não consegue resolver a questão do abastecimento de transporte coletivo (junto às empresas), e os perueiros, por outro lado, ajudam EFETIVAMENTE, na fluência do tráfego de Belém. Quase todos nós, usuários de ônibus, já tomamos uma van, em algum momento. E na maioria das vezes, é justamente porque NÃO TINHA UM ÔNIBUS QUE NOS LEVASSE. Quer dizer, isso é uma questão muito mais social que política. E econônica também, é claro. Afinal, SOMOS NÓS quem pagamos, tanto a passagem do ônibus, quanto do perueiro (que geralmente é ligeiramente mais cara). Pagamos até O SALÁRIO DOS POLÍTICOS QUE NADA FAZEM PARA RESOLVER A QUESTÃO!

Aí eles se reunem na câmara, fazem uma balbúrdia, promovem um quebra-quebra generalizado, e não importa quanto espetáculo deem, NADA SE RESOLVE.

Saem todos os "interessados" mais perdidos do que antes. O prefeito desapareçe nessas horas. E no dia seguinte, a fila no meu ponto de ônibus tá igualzinha. Ou pior.

É por isso que, cansados de tentar acordo enquanto são marginalizados, os perueiros resolvem se unir, para protestar, para reinvindicar seus direitos como cidadãos, e contribuintes, e no auge dessa idéia justa, eles resolvem... Queimar pneus? Fala sério pessoal, vocês podem fazer melhor. Não percebem que agindo assim só prejudicam à NÓS, os passageiros, seus clientes, QUE NÃO TEMOS CULPA NENHUMA? Não veem que assim você nos paralisam, o que inviabiliza uma série enorme de atividades ao redor da cidade, atividades como: as frutas e verduras que vocês querem comer, vindas da Ceasa, a cervejinha que bebem, que fica paralizada no trânsito e não pode ir pro freezer, além de questões mais sérias como o acesso que fica inutilizado para ambulâncias, grupamentos dos bombeiros, e todo o tipo de ajuda que outras pessoas possam estar necessitando naquele momento.

Quer outra? Vocês mesmos, que são trabalhadores, pessoas das quais outras pessoas dependem, expõe-se a riscos desnecessários, manipulando fogo e gasolina (enquanto deveriam estar trabalhando para levar o leite do Joãozinho, pra casa à noite), expondo-se às represálias da polícia, enfim... Mas uma das questões que julgo mais importantes (em função de seu potencial danoso), é a fumaça. Quantos quilos de fumaça negra, puro derivado de petróleo, carbono puro, são despejado na atmosfera à cada "protesto" desses? Todo mundo tá queimando pneus! Se pensarmos bem, será que os motoristas em geral já não poluem DEMAIS a atmosfera só com seus escapamentos? Ainda precisa de mais?

Imagino que se algum deles lesse isso diria: "então tá, sabidão, e qual é a solução?". Socraticamente, digo-lhes que não sei. Seria esperar demais de uma pessoa apenas, uma vez que vocês todos já estão há um tempão nisso e não resolvem. Posso apenas, opinar:

--> Reunam-se como um grupo coeso. Acertem suas diferenças internas antes de sair protestando. Nem vocês sabem ao certo o que querem. Já ouvi todo o tipo de "eu quero é", de vários perueiros.

--> Tentem utilizar os trâmites. Sim, como entidade (realmente) organizada, tentem buscar JURIDICAMENTE, apoio aos seus interesses.

--> Vão a todos os meios de comunicação falar, repercutir, insistir, denunciar, enfim, fazer todo o barulho possível

--> E finalmente, se nada disso resolver, façam o piquete. Mas o façam no lugar certo!! Façam na frente da casa do prefeito, do secretário de transportes, enfim, de quem tem OBRIGAÇÃO de lhes ouvir e resolver o problemas. Mas SEM FOGUEIRAS! Notem que quando vocês fecham avenidas e ruas, não é a ELES que vocês prejudicam. Eles podem sair tranquilamente de suas casas, e circular por onde quiserem com seus carros blindados. Somos nós que ficamos fritando no engarrafamento. Pergunto: É justo?

Então é isso gente. Meu protesto sobre o protesto. E dou só mais um último parecer: Se tudo o mais falhar, crie um blog, siga protestando e denuncie todo mundo!!!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ascensão e Queda dos Piqueteiros Virtuais

Tarde da noite, ainda nem madrugada, ele murmurava para as estrelas. Numa rua escura por onde ninguém passava, entre o muro alto e o rio, ele declamava para os cagalhões descendo pela corrente fraca e para sacos de lixo que flutuavam pelas calçadas.

O outro surgiu sem ser percebido na rua escura. Vinha manso, mas poderia ter se aproximado a bordo de um tanque e também não seria notado, pois era grande a distração dele.

Repetiu em voz alta as palavras que ele havia murmurado, ou também estava falando sozinho pela noite adentro? Por certo falavam parecido. Ele perguntou seu nome e o outro disse. Muitas outras frases e pensamentos foram trocadas. Dentre elas, algumas definitivamente irrelevantes para qualquer outra pessoa que não estivesse naquela sintonia especial.

A noite se desenrolava e as idéias também, quando concluíram que poderiam muito bem seguir juntos, falando sozinhos pela escuridão. Mas concederam também que não era de suas naturezas concordar com alguém, muito menos pensar com a cabeça de quem quer que seja, muito menos o Papa. De novo imaginaram que deveriam ter um... Objetivo! que os congregasse numa missão importante.

"Morte certa? Nenhuma possibilidade de sucesso? O que estamos esperando?" (Gimli, em Senhor dos Anéis)

Ele jogou uma idéia antiga, de fazer um dicionário de palavras corrompidas, revelando o sentido ideológico de expressões utilizadas pela retórica atual em todas as atividades modernas, algo assim. Ambos julgaram tarefa estafante. Um e outro sugeriu seguir assim, só falando sozinhos. Logo adiante, o outro disse que se estavam reunidos na rua, deviam combinar pelo menos ir beber uns gorós ou mesmo um café.

Insustentáveis, concluíram de novo que deviam fazer alguma coisa, além de falar sozinhos. Afinal, eram dois caras que se achavam diferentes e meio loucos, que diziam coisas que as outras pessoas poderiam gostar e isso de falar sozinhos pela noite era uma coisa esquisita, mesmo para os seus padrões distorcidos.

"Quem investe contra moinhos de vento, na cabeça os tem." (Sancho Pança, em Dom Quixote)

Aí tiveram a idéia do que fazer. De primeiro veio o título: Piquete Virtual.

Era assim: usariam suas vozes na noite para mandar mensagens a todos esses sujeitos que só fazem cagada em seus postos de poder. Mandariam e.mails aos políticos, deixariam Comentários nos sites e blogs de todos os formadores de opinião, jornalistas, corporações, juízes e delegados. Fariam isso aos milhões, agregando as pessoas dos blogs, do orkut, do twitter e do diabo a quatro. E cada mensagem começaria assim: Esta é Uma Ação de Piquete Virtual, Nossa ação pretende (descrever o motivo do protesto).

Encheríamos caixas de mensagens e Comentários com mensagens, num verdadeiro Piquete Virtual, fazendo o alvo tomar juízo, desistir de levar a propina, impedir a Lei absurda, prover de saneamento básico e tudo mais. Cara, podíamos mudar o mundo confortavelmente de dentro de nossas casas, sem levar bordoada de PM, sem engasgar com gás lacrimogênio e sem ficar rouco de gritar. É só mobilizar a moçada! Seríamos seguidos como salvadores, nossos blogs iam bombar!

A idéia percorreu os dois como uma descarga elétrica. Sentiam como se seus planos já pudessem ser ouvidos, como se fossem portadores de uma praga do bem que se alastraria pelo universo, dando finalmente um objetivo a todos esses blogueiros que vicejam silenciosos e que só esperam um líder para seguir até os confins do inferno.

Assim, separaram-se na noite cuja quietude era uma ofensa à retumbância de seus pensamentos.

Afinal, quem tinha tanto tempo para tudo isso? Usar aquele sistema de mandar um monte de e.mail para um monte de gente, era um mistério. Convencer tuiteiros a fazer alguma coisa séria é tarefa impensável. Aquele povo todo do orkut só pensa em mandar abobrinhas e budipokes uns para os outros. E da onde entra a grana? Tinham que seguir zumbizando no trabalho para entrar algum, sempre da mão prá boca sem sobrar nenhum.

Que se futriquem os políticos e todo o resto, pois o mundo segue inexorável para o abismo e não vou ser eu quem vai se meter na frente e ser atropelado.


É triste concordar, amigo...


Lendo o post do meu amigo Malanski, começei a divagar, imaginado as cenas que ele tão habilmente descrevia, e de imagem em imagem, vi centenas, milhares de slides, de outra tantas situações como aquelas, que tenho assistido nos jornais, no decorrer dos meus dias. Vi também imagens de outros tipos de crimes, cometidos pelos mesmos personagens (ou um parente qualquer), e de "formação de quadrilha" a "quebra do decoro parlamentar", não consigo ver diferença alguma.

Afinal, pra que serve o CONSELHO DE ÉTICA? Será que ELES SABEM O QUE É ÉTICA?

Um promotor matou um rapaz, na saida de uma boate, há pouco tempo, porque o outro havia xavecado a sua namorada. Uma juíza foi pega num grampo telefônico, negociando com um assassino de aluguel, a morte de um desafeto. E o que dizer de todos esses maníacos miseráveis, que se utilizam do poder pra abusar de crianças, DE TODAS AS FORMAS? Podíamos perguntar pro deputado Seffer, afinal, disso ele entende!

Se isso não fosse o bastante, temos TODOS OS VELHOS PROBLEMAS CLÁSSICOS DO BRASIL, que como sabemos, na sua maioria, tem origem em alguma esfera política.

Sufoquei de raiva. Respirei fundo pra clarear as idéias.

Nesse ponto parei, acendi um cigarro, e resovi passar a bola adiante...

Afinal, o que mais podemos fazer?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência ou Morte??!

7 de setembro. Comemoramos hoje a Independência do Brasil. O que está errado nessa frase? TUDO! Vejamos:

Comemora-se algo bom, algo de que se quer lembrar, comemora-se o sucesso em algo. Temos o que comemorar?

Independência... Desde quando? Somos até hoje totalmente dependentes, se não de Portugal, de todo o sistema capitalista, chefiado pelos EUA. Tanto que uns poucos loucos que especulem mal no mercado imobiliário deles causa uma crise no mundo todo...

Mas deixemos de ser tão fatalistas. Nos atenhamos à história: Quem "declarou a independência" do Brasil? Dom Pedro, filho do então imperador português, imperador esse que havia fugido para cá por medo de Napoleão e com sérios problemas com a Inglaterra. Com o exército francês se aproximando perigosamente da pátria lusa, a Coroa portuguesa não teve outra escolha a não ser voltar e tentar "marcar presença". Imaginem a pressão que esse imperador devia estar sofrendo dos outros membros da corte, seus patrícios. Mas não podia perder o Brasil, essa colônia maravilhosamente rica, que estava elevendo Portugal à patamares de Riqueza, poder e domínio como nunca antes. Sim porque, foi o ouro, o café, a cana-de-açucar e a borracha brasileira, além do sistema escravocrata utilizado por eles então, que os colocou no papel de maior império "colonizador", da época.

Por outro lado, rebentavam pelo país afora, uma série de insurgências e protestos, brasileiros insatisfeitos que não tinham perspectivas e sabiam-se explorados (peraí, ainda é assim!), que começavam a conspirar contra os desmandos do "Império" e da família Real, que no Brasil, havia tomado as melhores casas para si, os principais recursos, e ainda tinham o descaramento de andar de liteira, cheios de seda, pra cima e pra baixo.

Então pensemos: Se a família Real fosse toda embora, perderia o Brasil. Se ficassem, poderiam perder Portugal! E no meio dessa "dúvida" toda, D. Pedro "resolve" se unir aos insurgentes "contra o pai" e declarar a independência. Mas como assim? Se o próprio Imperador disse: "vai filho, e torna-te o imperador do Brasil. Prefiro que sejas tu, que um desses aventureiros"! Ou seja, foi um truque! Ilusionismo! E até hoje tentam empurrar isso para as nossas crianças. Não houve "independência", o que houve foi um caso descardado de nepotismo! Nem aquela cena bonita que vemos nos livros história foi daquele jeito. O cavalo dele era um "pônei" e nem tinha tanta gente assim às margens do Ipiranga. E de mais a mais, que papo foi esse de "Independência ou morte"? E por acaso Imperador iria ordenar a morte do próprio filho? Teve morte sim, mas dos nossos bisavós...

Resumo da ópera: Não temos o que celebrar (nesse sentido) pois não somos independentes.

Felizmente, o produto final dessa balburdia somos nós, brasileiros legítimos, formados na mistura de todas essas raças e culturas. Nós, os segundos donos da terra (primeiro os índios, hein?). Nós que sangramos nos trocos das fazendas, nós que fugimos para os quilombos, nós que fomos caçados como bicho. Sim, nós, pois essa terra e essa história são nossa herança. Eram nossos ancestrais africanos, indígenas, europeus, que ao se "misturar" criaram esse milkshake genético que somos. E nos orgulhamos muito disso.

Essa, aliás, é uma diferença fundamental entre nós e a maioria dos outros povos do mundo "civilizado". Os europeus, por exemplo, adoram se gabar de sua origem, seu pedigree. Povos como o espanhol e o alemão, fazem todo o possível pra não se "misturar", diluindo assim a "pureza do seu sangue". Muitos deles (franceses e ingleses, por exemplo), tem rivalidades seríssimas e "milenares" entre si. Cada um querendo ser mais "soberano" que o outro. Nós por outro lado, somos plenamente cônscios de nossa origem, e mais cônscios ainda de nossa IDENTIDADE. Ser brasileiro é justametne o oposto do que eles são. Brasileiro é mistura, é miscigenação, é soma. Sabemos que não descendemos de nenhuma raça milenar, e gostamos disso! Brasileiro gosta é de somar, de agregar. Brasileiro gosta é do oposto. Repare: Quantos casais interraciais você conheçe? Negão adora loira, e vice-versa. Só aqui é possível encontrar tantas pessoas de uma mesma nacionalidade com tantas características diferentes. Há brasileiro japa, negão, branquelo, ruivo... tem até malhado! E é exatamente isso que nos enche de orgulho: A diversidade. A nossa existência é um tributo à superação, e à sobrevivência a qualquer custo.

Então, nesse 7 de setembro, vamos comemorar a coisa certa: Celebremos o Brasil e os brasileiros. Celebremos a (pouca, eu sei...) tolerância que nos fez crescer como povo. Celebremos os nossos ancestrais, que batalharam pelo sonho de um país mais justo e livre, e nos ensinaram a não desistir jamais. Celebremos à memória de todos os homens e mulheres que deram suas vidas, através da história para defender nossa liberdade. Celebremos a todos aqueles que morreram (até hoje) tentando nos tornar verdadeiramente independentes. No pensamento. Nas atitudes.

Celebremos mas para não esquecer nossos heróis, os inconfidentes, os cabanos e tantos outros que com seu sangue, escreveram nossa história. Celebremos hoje, porque amanhã, a batalha recomeça...
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Original: Guilherme Castelo

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